O papel dos Grupos Balint na prática clínica do Médico de Família

Data e Hora

30 de Março, 2022
18:00
19:30
Sala 1

Descrição

Michael Balint desenvolveu um método inovador para estudar a relação médico-utente pretendendo transpor alguns dos fundamentos da psicanálise para a prática clínica diária.

Assim surgiram os Grupos Balint (GB), uma forma de prática reflexiva grupal onde se discutem casos clínicos vivenciados pelos participantes. A principal tarefa destes grupos é a análise da relação médico-utente proporcionando um espaço seguro onde podem expressar-se dificuldades e emoções decorrentes de um encontro clínico. A segurança do grupo é mantida sob diretrizes claras quanto à confidencialidade e respeito. Estes grupos representam deste modo, um meio estruturado para discutir dificuldades, promover o auto-conhecimento profissional, partilhar ideias e emoções e quebrar o isolamento em que tão frequentemente o exercício da medicina geral e familiar é praticado.

Objetivos

Permitir a participação experimental num GB, compreender a sua dinâmica de funcionamento e adquirir através da experiência grupal novas formas de pensar e gerir encontros difíceis na prática clínica.

Metodologia

Inicialmente será realizada uma nota introdutória à criação e evolução dos GB. De seguida, os participantes serão convidados a participar num GB. Será realizada a discussão e reflexão de um caso clínico, sob orientação de um facilitador e um cofacilitador.

O caso apresentado deverá ser relatado de forma livre, facultando ao grupo os detalhes necessários ao seu esclarecimento. Após o relato, os participantes podem solicitar alguma clarificação e apresentar recortes de situações similares vivenciadas. O conhecimento da situação irá ser aprofundado e dissecado, aproveitando a situação médico-utente-doença como um campo de análise.

Discussão

A relação médico-doente é uma entidade imaterial viva e complexa, em que a análise e avaliação dos dois intervenientes não chega para compreender os resultados obtidos durante uma consulta. Neste processo interactivo e recorrente, no qual existe a confrontação entre sistemas diversos, mas que se conjugam para uma mesma finalidade, a importância desta relação tem vindo a ser realçada como uma ferramenta fundamental, que obedece a princípios e métodos que estão para além da simples presença de um médico e de um paciente. A compreensão dos fatores com potencial de interferência na relação clínica revela-se essencial para a prestação de cuidados eficientes. Neste âmbito, a tarefa do GB centra-se na análise do que se passa na relação médico-doente, e não apenas na avaliação do modo de sentir do médico. O grupo deverá ajudar o médico a permitir que ao doente seja reconhecida a possibilidade de expressar as suas próprias emoções. Assim, os GB devem ser vistos como um meio de aprendizagem contínua e de encorajamento para a prática de um estilo de consulta humanístico e empático, fortalecendo a abordagem centrada na pessoa.